5 perguntas para Fernando Neninho, mestre de bateria da Pérola Negra

Fernando Neninho tem legado. É o exemplo em pessoa do ditado “filho de peixe, peixinho é”. Seu pai, o já saudoso Mestre Neno, falecido no último dia 02 de abril, comandou a bateria Furiosa do Camisa Verde e Branco por 20 anos consecutivos, e é daí que nasceu o amor de Neninho pelo carnaval. O mestre conta que começou cedo e já está há seis anos no comando da bateria da Pérola Negra. E como ele mesmo diz, segue “contando”.

Quando e onde começou seu amor pelo carnaval? 

Costumo dizer que meu amor pelo carnaval começa no ano de 1990, ano em que eu nasci e mesmo ano que o meu pai se tornou mestre de bateria do Camisa Verde e Branco. Desde então, estou presente há 33 anos consecutivos e contando!!!

Há quanto tempo está na agremiação e o que significa pra você ?

Estou há 6 anos na Pérola Negra e isso tem um significado muito grande pra mim. Acredito muito no legado e creio que estou construindo um legado muito importante para a minha carreira e junto com a escola. Hoje a bateria tem uma identidade. Eu sempre quis isso, que onde eu estivesse, junto com a minha equipe, que tivéssemos uma identidade, tanto com a escola quanto com a bateria. Então, faço questão disso. E na Pérola Negra hoje, creio que estamos no caminho.

Agremiação e comunidade: como você define essa relação? 

Se a bateria é o coração da escola, a comunidade é a joia mais importante, a joia rara. Essa relação tem que estar totalmente alinhada para que a escola possa ter sucesso e criar uma raiz. Eu dou muito valor a quem é da casa, quem é da comunidade, porque se eles estão ali no ensaio, persistindo e insistindo a cada ano é porque ama o pavilhão. A comunidade, a joia rara da escola, tem que ter um valor a mais.

Quais são as maiores dificuldades que vocês enfrentam durante a organização do Carnaval?

A minha maior dificuldade hoje, e desde sempre, é a desvalorização da cultura num todo. Podia ter mais valores, mais profissionais, até porque o carnaval é o ano todo. Desde que profissionalizaram, o processo está sendo muito lento e aí poucas pessoas são valorizadas. Muitas pessoas fazem de tudo pela entidade, pela escola e não são valorizadas. Então, essa é a maior dificuldade. Eu não digo nem a organização, porque no carnaval de São Paulo, onde eu atuo, tem uma boa organização, mas a valorização do profissional precisa ter uma atenção maior.

Qual é a importância cultural do Carnaval para a cidade e para a sociedade em geral?

Levando em consideração que o carnaval é a maior manifestação popular do país, a importância é enorme. Mas por ser tão grande, poderia ser mais valorizado. Muita gente encara só como uma festa e tudo bem, mas gera empregos, condições. Envolve muita gente, muito amor, muito legado construído. Só na minha família, já estamos indo para a quarta geração. Gente que frequenta, é ativa na escola. Minha avó é fundadora da ala das baianas da Mocidade Alegre, meu pai foi mestre de bateria do Camisa Verde e Branco por 20 anos seguidos, eu estou como mestre de bateria e agora meus filhos e minhas sobrinhas querem participar, ter uma função dentro de uma escola de samba. É muito mais do que só uma festa, é uma manifestação, é onde o povo desprovido, povo preto, pobre, achou uma maneira de se manifestar. A importância é enorme e tendo uma valorização devida só tem a crescer mais ainda.

Fernanda Oening

Jornalista e produtora. Editora do SambaNews. Paulistana, nascida e criada na Barra Funda, bairro onde conheceu um amor pra vida inteira: Camisa Verde e Branco. Foi passista e destaque da escola por anos. Não dispensa uma boa roda de samba!

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