Catolicismo negro no Carnaval 2023

Carro alegórico da Mocidade Unida da Mooca | Foto: Bruno Ribeiro

Por Fabrício Forganes

Já há alguns anos temas relacionados às religiões de matriz africana são desfilados pelas Escolas de Samba em todo o Brasil. Este ano, contudo, algumas escolheram temas ligados ao Catolicismo Negro. Foi o caso em São Paulo do Grêmio Recreativo Escola de Samba Mocidade Unida da Mooca, a MUM, que desfilou a história de Chaguinhas, o “Santo Negro da Liberdade”, no sambódromo do Anhembi.

Conheci o samba-enredo da MUM na missa que a União dos Amigos da Capela dos Aflitos – UNAMCA realiza todo mês de setembro defronte ao templo que restou de todo o cemitério que existia na região, atualmente, conhecida como bairro da Liberdade. A luta da UNAMCA e de outros pesquisadores pela demarcação da história negra neste bairro chamou a atenção da diretoria da MUM e de seu presidente, Rafael Falanga, que, corajosamente, acolheu esta história, ainda pouco conhecida, para ser contada no carnaval de 2023. Confesso que o samba, composto também pelo incrível Aloysio Letra, me pegou primeiro, mas a visita à quadra da MUM me arrebatou. Aceitei o convite da UNAMCA e participei do desfile do Grupo de Acesso I que aconteceu no domingo, 19 de fevereiro.

Chaguinhas foi apresentado pelas alegorias e fantasia criadas pelo talentoso carnavalesco Caio Araújo. A partir da comissão de frente, que resumia a história do enforcamento, o Santo Negro da Liberdade foi representado em fantasias luxuosas intercaladas por três alegorias, que mostravam o Chaguinhas histórico, o Chaguinhas no espaço religioso de dupla pertença e o Chaguinhas da luta pelas narrativas urbanas; me juntei a um grupo incrível, de pesquisadores e devotos do Santo Negro na última alegoria.

A MUM fechou o último dia dos desfiles paulistanos brilhantemente! A pedagogia do samba fez com que muita gente tivesse acesso à história do Chaguinhas numa potência que só um lindo desfile de carnaval consegue. Os que não viram o desfile 2023 busquem nas redes sociais e escutem o samba.

Outra escola que escolheu o Catolicismo Negro como tema foi a Viradouro no Rio de Janeiro, que contou a história de Rosa Maria Egipciaca e conquistou o segundo lugar no grupo Especial.

* Fabrício Forganes é arquiteto, pesquisador do Catolicismo Negro, Mestre em Arquitetura e Urbanismo (FAAC/UNESP) e professor (MAS/SP). Este texto é um artigo de opinião e não reflete, necessariamente, a opinião do SambaNews.

Mônica Silva

Paulistana, da Freguesia do Ó. Jornalista, assessora de imprensa, especialista em produção editorial para publicações em segmentos diversos. Sempre teve Rosas de Ouro como primeira referência de carnaval. Já desfilou pelo Império de Casa Verde e também frequenta ensaios nas quadras das principais agremiações da zona norte.

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