Momentos pré-desfile – Os 7+, Mônica Silva

Nossa editora Mônica Silva é componente da Império de Casa Verde, agremiação da Zona Norte de São Paulo e divide com você os seus 7 momentos inesquecíveis, que antecedem um desfile de escola de samba

"Nasci na Freguesia do Ó, zona norte de SP e, durante toda a minha infância e adolescência eu passei na frente da quadra da Rosas de Ouro, ao lado da ponte da Freguesia, mas nunca frequentei. Em 2019, eu tive a minha primeira experiência na avenida. Foi com a escola de samba Império de Casa Verde que eu e minha filha Júlia, hoje com 10 anos, sentimos a verdadeira emoção de ouvir o som da sirene anunciando o início do desfile e também ao cruzar a linha amarela, no sambódromo do Anhembi. Fomos incentivadas por meu marido e meu irmão, que já desfilam pela escola, há doze anos. Eu e Júlia, acompanhávamos os dois aos ensaios e fomos tomadas pelo ‘bichinho do carnaval’, assim como minha cunhada e amigos mais próximos. Com a pandemia e os boatos sobre a possibilidade da não realização dos desfiles, nós estamos muito ansiosas e para darmos uma acalmada recordamos os melhores momentos da nossa escola de coração assistindo aos desfiles mais antigos e também o último. Foi em uma dessas sessões, que nós elencamos, sob nosso olhar, sete dos melhores momentos que antecedem o desfile da escola de samba. Vamos lá":

  1. Início dos trabalhos: quando a escola de samba retoma as atividades realizando alguns eventos e a comunidade volta a frequentar a quadra. Momento para relembrar os detalhes do último desfile, comentar as danças das cadeiras (caso tenha ocorrido), além de rever amigos e fazer novas amizades.

2. Escolinhas de bateria: quem não curte uma bateria de escola de samba? E o sonho em se tornar um ritmista? Este é o momento de contato mais próximo com os diretores de cada ‘naipe’ e oportunidade de aprender a tocar um instrumento. Eu participei da primeira turma de escolinha da Bateria Barcelona, da Império de Casa Verde. Escolhi o tamborim e, durante três meses, frequentei as aulas até receber o diploma de ritmista assinado pelo Mestre Robson Zoinho. Tinha planejado participar da edição 2020, mas por conta da pandemia, a escolinha não  foi realizada.

3. Disputa de samba: nós sempre acompanhamos a disputa, momento em que compositores defendem seus sambas-enredo que foram desenvolvidos, a partir da explanação de sinopse, geralmente realizada pelo carnavalesco. Depois disso são realizadas etapas eliminatórias, até chegar a grande final, quando o samba é escolhido e anunciado. As torcidas vão à loucura!

4. Anúncio do samba vencedor: uma verdadeira festa cheia de cores, brilhos que conta com a participação de toda a comunidade e alas da escola. O samba é escolhido, a partir da reação do público presente. Muitas pessoas se emocionam ao ouvir determinado samba e esse é o termômetro para a escola. A gente realmente sente se o refrão vai levantar a arquibancada, impressionante!

5. Início dos ensaios de quadra e ensaios técnicos no Anhembi: como samba na ponta da língua, comunidade pira nos ensaios. Para mim, os ensaios são muito divertidos porque sempre faço novas amizades, além de ser o momento de conhecer melhor integrantes da escola. Gosto de ver o trabalho dos chefes de ala, que ficam quase malucos para organizar listas para produção de carteirinhas, levantamento de informações e, não bastasse tudo isso, administrar grupos insanos no Whatsapp. Os ensaios técnicos são momentos para sentirmos como será na avenida. Ali é o termômetro de evolução e harmonia das alas e também da força do canto.

6. Retirada e prova de fantasias no barracão: momento em que temos o contato direto com o que vamos usar durante o desfile oficial. O que mais nos encanta é ver toda a estrutura de trabalho dentro do barracão, assim como as linhas de produção, principalmente conhecer as costureiras, pessoa que transformam todo o sonho e realidade.

7. Desfile e apuração: insônia, dor de barriga e muita ansiedade. Dia de defender nosso pavilhão e cantar o samba-enredo para sacudir geral! Os momentos que antecedem a nossa entrada são ímpares! Até ouvirmos a sirene tocar e cruzarmos a linha amarela. Aí é evolução total, sem deixar a ‘peteca cair’ para cruzar a linha de chegada, aos 65 minutos, sem mais, nem menos! Dispersão e dever cumprido!

Mônica Silva

Paulistana, da Freguesia do Ó. Jornalista, assessora de imprensa, especialista em produção editorial para publicações em segmentos diversos. Sempre teve Rosas de Ouro como primeira referência de carnaval. Já desfilou pelo Império de Casa Verde e também frequenta ensaios nas quadras das principais agremiações da zona norte.

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