Entrevista especial: GRUPO CLAREOU

Conheça a trajetória e os projetos do grupo que encanta o universo do samba

Formado por Magal e Branco nos vocais, Anderson Mendonça (Buiu) no pandeiro, Fernando (Mellete) no tantan e Juninho de Jesus no banjo, o Grupo Clareou traz uma trajetória marcada pela paixão pela música e a essência do samba. Originários do Rio de Janeiro, berço de grandes artistas e da rica cultura musical do Brasil, o grupo se destacou rapidamente e conquistou um espaço de destaque no cenário nacional.

Ao longo de sua carreira, o Clareou acumulou diversos sucessos, como “Ela Me Disse”, “Dona dos Meus Sonhos” e “Só Penso no Lar”, que se tornaram verdadeiros hinos para os fãs do grupo. Além disso, eles já dividiram o palco com grandes nomes do samba, como Zeca Pagodinho, Diogo Nogueira e Arlindo Cruz, demonstrando a admiração e o reconhecimento que receberam dos mestres do gênero.

Em entrevista exclusiva ao SambaNews, Fernando Mellete fala sobre a trajetória do grupo, inspirações musicais e os projetos que estão por vir.

ENTREVISTA

Como foi o começo na música?

Todos nós, do grupo, começamos no início dos anos 2000. O começo do Clareou foi em 2010. Já tem 13 anos. Estamos juntos desde lá. Gravamos vários álbuns, DVDs, audiovisual. E tomara que a gente grave muito ainda pela frente.

Quem foi inspiração para vocês? Tiveram padrinhos no começo de carreira?

Eu tenho muito o grupo Revelação como inspiração porque era o grupo estourado da época, do início dos anos 2000. Também o Exaltasamba, Negritude Jr, que foram grupos da nossa geração. Como padrinhos tivemos Xande de Pilares junto com o Revelação. Reinaldo, o príncipe do pagode, também foi um cara que nos ajudou muito e o Marquinhos Sensação. Pessoas que estiveram muito envolvidas com a gente desde o início do Clareou. Inspiração para todos nós. Galera do Pagode 90, Fundo de Quintal, Katinguelê, Art Popular, Molejo, enfim, muita gente dessa época.

O que te fez tomar a decisão de seguir carreira artística? Valeu a pena? 

Eu comecei a tocar com 13 anos quando ganhei um tantanzinho de madeira. Eu estudava nessa época. Com 16, eu comecei a tocar na noite e estudar junto. Chegava na escola e dormia, o professor brigava. Além disso, eu fui pai cedo, com 19 anos, e a minha mãe sempre falava que eu tinha que trabalhar. 

Então, eu sempre trabalhei fora e tocava a noite. A música era um sonho, uma coisa indefinida, tipo “Será que vai rolar? Será que vai acontecer?”. A minha realidade era o meu trabalho de segunda a sexta, durante o dia. Mas, Graças a Deus, a partir de 2010, o Clareou começou a aparecer muito e a gente percebeu que faríamos sucesso e conseguiríamos viver financeiramente do grupo. Eu e os outros integrantes pudemos, então, abandonar nossos empregos e viver só da música profissionalmente. Valeu muito, meu Deus! Eu sempre falo que o maior sonho da minha vida eu já realizei, que é viver da música. Já tem 13 anos que eu vivo da música profissionalmente, então isso pra mim é a realização de um sonho diário.

Quais foram as maiores dificuldades que enfrentaram?

A dificuldade é conseguir conciliar a música, que é o teu sonho, com o trabalho durante o dia, com a sua realidade financeira. Eu cheguei a perder muitos e bons empregos por conta disso. Por exemplo. Eu trabalhava das 8h às 18h e tinha que estar no ponto de encontro às 22h para poder tocar. Só chegava em casa às cinco, seis da manhã, sendo que tinha que trabalhar às oito horas. Isso era desesperador. Até quando aguentar isso? Então, acho que muitos amigos abandonaram a música por essa situação. Acho que essa é a maior dificuldade do músico: não conseguir viver da música como fonte de renda mesmo, só quando ele emplaca, quando ele estoura.

Quais os novos projetos do Grupo Clareou?

Pensamos em gravar um novo audiovisual no final de 2023 porque ainda temos algumas coisas pra lançar esse ano. Lançamentos mensais do Modo Avançado, na versão ao vivo. Também temos o Do Nada Clareou 2, que é o nosso projeto da praia, para lançar nas plataformas. Então, em dezembro gravaremos um novo audiovisual.

Fernanda Oening

Jornalista e produtora. Editora do SambaNews. Paulistana, nascida e criada na Barra Funda, bairro onde conheceu um amor pra vida inteira: Camisa Verde e Branco. Foi passista e destaque da escola por anos. Não dispensa uma boa roda de samba!

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