Entrevista Especial: GRUPO FAÇANHA

Com 28 anos de carreira, o trio carrega bagagem importante no samba

Em 1995 os irmãos Cauique e Jhow se uniram a primos e amigos para formar o Grupo Façanha. Em 2007, ganharam destaque com o hit “Saudades do Amor”, sucesso nas rádios de todo o Brasil. Lançaram três discos de sucesso, incluindo o álbum “Façanha na Praia” e seu primeiro DVD. Cauique também se destacou como compositor, tendo suas músicas interpretadas por artistas como Thiaguinho e Diogo Nogueira. Em 2022, o grupo lançou o projeto “Pagode do Façanha” em três volumes, com participações especiais.

Cauique, líder do trio, é também reconhecido como compositor, tendo suas músicas interpretadas por diversos artistas brasileiros. Em 2017, a música “Pé na Areia”, escrita por ele , Rodrigo Leite e Diogo Leite, interpretada por Diogo Nogueira, se tornou um sucesso nacional, rendendo ao artista uma indicação ao Grammy Latino. Em 2022, Thiaguinho estourou com a composição de Cauique, “Falta Você”, e em 2023, “Delirante” se tornou tema do projeto musical Tardezinha. O Grupo Façanha, hoje formado por Cauique, Jhow e Jair, continua a deixar sua marca no cenário musical brasileiro, com composições de sucesso e shows animados.

Em entrevista exclusiva ao SambaNews, Cauique conta sobre inspirações e projetos futuros do grupo.

ENTREVISTA

Quando começaram na música? 

Começamos na música ainda crianças, desde que nos conhecemos por gente. Eu e meu irmão já tínhamos a música muito presente na vida. Em todas as festinhas de aniversário, Natal e Páscoa. Meu pai já tocava em todo tipo de evento em casa. Já o Grupo Façanha começou em 1995, em Osasco, comigo, meu irmão e meus primos, uma coisa bem bem amadora mesmo. Mas foi ali que a gente resolveu dar . 

Como é ter um grupo em família?

Ter um grupo família é maravilhoso. Essencial para um grupo se manter vivo porque já tem a convivência familiar. Todo mundo já se dava muito bem, todo mundo já fazia parte do Grupo Façanha. Depois meus primos foram saindo e atualmente só estamos eu e meu irmão. Mas é maravilhoso, justamente, pela convivência que já existia.

Quem foi inspiração para vocês? Tem algum padrinho que ajudou? O Pagode 90 é uma inspiração?

Obviamente que até hoje o Pagode 90 é uma inspiração. Porém, nós também surgimos nos anos 90, época que os grupos de São Paulo despontaram nacionalmente. Mas a nossa grande inspiração sempre foi o Fundo de Quintal. Inclusive, eles são nossos padrinhos musicais, junto com Leci Brandão. Eles nos apadrinharam no ano de 2007 e fizeram parte do nosso primeiro disco. 

O que te fez tomar a decisão de seguir carreira artística? Valeu a pena? 

Na verdade sempre sentimos essa vontade, nos dávamos bem quando tocando, sentimos uma sensação boa. E isso foi crescendo com o passar do tempo. Mas, eu creio que isso é uma vocação, como qualquer outra profissão. A gente é escolhido para fazer o que fazemos, no caso, ter uma carreira artística, porque, ao contrário do que todo mundo pensa, não é fácil. É uma carreira de muita dedicação, sofremos bastante com a falta de estrutura, falta de incentivo, mas ao mesmo tempo a gente sente que é aquilo que a gente deve fazer, que a gente deve prosseguir, não desistir. Por isso que eu encaro como uma vocação, porque é uma coisa que não é tão fácil e não pensamos em nenhum momento em desistir, então acredito que só pode ser vocação mesmo. Tem valido muito a pena, sim. O Grupo Façanha está num momento muito favorável, muito bom e estamos muito felizes. Inclusive, dia 12 de julho, teremos a gravação do nosso terceiro DVD, que será maravilhoso, e todo mundo está convidado.

Quais foram as dificuldades?  

A princípio quando a gente começou nós éramos menores de idade, então enfrentamos uma certa dificuldade em trabalhar na noite. No início era amador, falta de dinheiro, estrutura. Quando começamos não temos muita noção do que tem que fazer, só vamos. Depois vemos que é preciso voltar um pouco, estudar, se empenhar, investir, fazer uma aula de canto, de música, de instrumentação e a grana quase nunca dá. Ter que dividir o tempo, por justamente não ter dinheiro, ter que ter outra atividade e poder se dedicar à música, é difícil. 

Daria algum conselho para quem está começando agora?

Se você acredita, tem que ir. Tem que botar uma fé muito grande, acreditar nos sonhos. Foi assim de Elvis Presley a Zeca Pagodinho. Você tem que acreditar, tem que ir, acreditar no seu som, jogar pro universo com muito amor. Se você não vai com amor, você não consegue passar uma verdade. O que a gente faz aqui no Grupo Façanha é sempre com muito amor, com muita dedicação e é assim que vamos seguir a nossa trajetória.

Fernanda Oening

Jornalista e produtora. Editora do SambaNews. Paulistana, nascida e criada na Barra Funda, bairro onde conheceu um amor pra vida inteira: Camisa Verde e Branco. Foi passista e destaque da escola por anos. Não dispensa uma boa roda de samba!

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