Entrevista Especial: JEITO MOLEQUE

Prestes a completar 25 anos de carreira, o grupo promete muitas novidades aos fãs

Com quase 25 anos de de história e uma base de mais de 700 mil ouvintes mensais no Spotify, o Jeito Moleque nasceu em Santana, na zona norte de São Paulo. Com Gui Albuquerque nos vocais, Carlinhos no cavaquinho e vocal, Felipe nos violões, banjo e vocal, Rafa na percussão e vocal, e Alemão também na percussão e vocal, o grupo é reconhecido como um dos maiores representantes do pagode no Brasil. Com uma carreira de sucesso, grupo continua a cativar plateias em todo o país, sendo considerado um dos principais fenômenos dos anos 2000.

Em agosto de 2017 lançou o álbum “Ao Vivo em Floripa”, primeiro show de retorno do grupo, após uma breve pausa na carreira. Esse show, que marcou a estreia oficial de Gui Albuquerque como vocalista, tornou-se um grande sucesso na trajetória do Jeito Moleque. Além disso, em 2019, lançou o DVD “Amo Noronha”, gravado no ano anterior na paradisíaca ilha de Fernando de Noronha. O projeto trouxe uma maior proximidade do grupo com a estética praiana. Sempre inovadores e cheios de personalidade, os rapazes surpreenderam recentemente com o projeto GoodVibes, onde embarcam em uma viagem pelo Brasil, unindo o pagode ao axé baiano ao lado da Banda Eva.

Em entrevista exclusiva ao SambaNews, o vocalista Gui Albuquerque fala sobre trajetória, inspirações e novos projetos do grupo Jeito Moleque.

ENTREVISTA

Como foi o seu começo na música?

Meu primeiro contato com arte, com música foi num projeto social com nome de Meninos do Morumbi. E foi lá também que eu conheci e ingressei no teatro. Então, eu vim dessa linha teatral. Depois eu montei a minha primeira banda escola e fui atrelando música e teatro ao mesmo tempo. Essa é a minha construção artística.

O Jeito Moleque está há anos na estrada e continua sendo um grupo de sucesso. Qual o segredo?

O Jeito Moleque tem uma personalidade muito forte no som, um jeito de se expressar. Mesmo depois da minha entrada, conseguimos manter essa essência, identidade do toque do cavaco do Carlinhos, do jeito que o Alemão toca tantan, então a gente tem isso. Essa identidade que quando você escuta o som, já identifica que é o Jeito Moleque. Acho que essa característica é o que traz esse sucesso de 24 anos do jeito Moleque, que reflete na nossa agenda, que reflete na galera que vai nos assistir.

Quem foi inspiração para vocês? Tem algum padrinho que ajudou? E como lida com o fato de também ser inspiração para tantos outros artistas?

São várias inspirações. O Alemão e o Carlinhos são extremamente sambistas, então escutaram tudo do Fundo de Quintal, da Velha Guarda, toda a galera que saiu lá do Cacique de Ramos. Escutaram tudo! O Felipe e o Rafa já trazem uma pegada do pagode antigo muito forte, da galera que surgiu bem antes dos grupos dos anos 90. Eu já tenho uma pegada da galera mais recente do pagode. Bokaloka, Revelação escutei muito. Nós temos também uma veia pop muito forte. O Jeito Moleque sempre representou essa mistura. Misturar o samba com o pop com as regravações que o Jeito Moleque já fez nesses 24 anos.

Então, essa identidade musical reflete, também, todo mundo que a gente escuta de semana, durante as nossas viagens, audições. Jeito Moleque é essa mistura e reflete muito no que a gente escuta, no que a gente gosta, os nossos sambistas e na galera pop que a gente curte.

Hoje com as plataformas de música, é tudo muito rápido. Como você enxerga essa nova era na música e como faz para manter a visibilidade do trabalho? 

Da Geração Z pra cá temos que tirar o chapéu e bater palmas porque a música se democratizou. Hoje, uma pessoa que, às vezes, não tem visibilidade nenhuma, grava uma canção, posta na internet e tem a possibilidade de mudar a vida dela, mudar a vida da família, com apenas uma música e através da velocidade da internet. A gente tem que correr, tem que acompanhar esse mercado porque a música está mais rápida para chegar nas pessoas e, por outro lado, também se desgasta mais rápido. A pessoa enjoa mais rápido daquele som. Então, você tem que alimentar mais rápido esse público.Temos que correr porque o Jeito Moleque é uma banda que veio do Orkut, da época de MSN, e precisamos acompanhar essa galera da nova geração.

Daria algum conselho para quem está começando agora?

Primeiro conselho é não desistir nunca, por mais que todos estejam contra você, contra o seu som. Você tem que acreditar primeiro. Acredite no seu som, na sua verdade, não passe ninguém para trás, não pise na cabeça de ninguém e acredite naquilo que você está fazendo fielmente. Acho que esse é o meu conselho maior. Acreditar no seu som, fazer de verdade. Seja de verdade. Faça o seu som que você vai cativar uma, duas, três pessoas, e elas vão ouvir, entender o seu som, te acompanhar porque te entenderam, acreditam na sua verdade e acreditam no seu som.

Quais os novos projetos?

Nós lançamos, recentemente, o nosso trabalho com título de Chama, uma collab com a Banda Onze:20 porque eles cantam as músicas do Jeito Moleque e nós cantamos as músicas deles. Temos duas canções inéditas para a galera curtir e aproveito já para contar que vamos começar as comemorações dos 25 anos do jeito Moleque. Então tem muita coisa boa para a galera curtir em breve!

Fernanda Oening

Jornalista e produtora. Editora do SambaNews. Paulistana, nascida e criada na Barra Funda, bairro onde conheceu um amor pra vida inteira: Camisa Verde e Branco. Foi passista e destaque da escola por anos. Não dispensa uma boa roda de samba!

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