Em todos os cantos do mundo, achei um samba pra chamar de meu

Dani Torres, 40 anos, confeiteira e jornalista, brasileira que vive no México com seu marido e as três filhas. Sambista de alma. Apaixonada pelo samba, por cada lugar que passa, elege um "para chamar de seu" e conta ao SambaNews sua história...

“O que você acha de morarmos em NY?”. Era fevereiro de 2014. Acho incrível! Sempre fui da turma do topa tudo, mesmo com três filhas pequenas debaixo do braço. Fora que NY me parecia a capital cultural do mundo: teatros, filmes, shows, museus, tudo passava por lá. Ou quase tudo…

Teria um samba? Se não? Como sobreviveria eu, que comemorei vários aniversários com batuque, tive minha despedida de solteira numa roda, que entrei no altar ao som de Beth Carvalho?

Dani Torres
Dani Torres com seu pai, ao som de "Minha Festa", interpretada por Beth Carvalho
Miss Favela
Miss Favela | Foto: TripAdvisor

Bom, sou jornalista, né? Ou melhor, repórter. Se tem uma coisa que sei fazer é fuçar. E sim, na cidade que nunca dorme tinha um cantinho super brasileiro. Miss Favela, no Brooklin. Nos jogamos no metrô e, como chegamos cedo, conseguimos uma mesa bem na frente da banda. Pedimos feijoada e uma jarra de caipirinha de morango. Me senti no céu. Porque é isso, não sei explicar, o samba mexe demais comigo. É como se entrasse na minha veia e me deixasse em êxtase. Vale muito a pena ir, só uma dica aqui, é caro (como tudo em NY).

No final daquele ano soube que em 2015 iríamos morar no México. No DF, nem precisei pesquisar. Minha mãe tinha uma amiga de infância cujo filho morava lá. Entrei em contato porque sou dessas que gosta de fazer amigos. O Bruno me contou que era sócio do Garota, um bar totalmente inspirado nos botecos cariocas. `As sextas tinha uma menina que cantava bossa nova e aos sábados, meu amado samba. Fui muitas vezes. Pedia mandioca frita, coxinha, pão de queijo. Minha despedida do México foi lá.

Mas o melhor deles foi quando contratei a banda pra tocar no carnaval que fiz no meu prédio. Pra você ter uma ideia, fui vetada de alugar o salão de festas depois disso. Colocaram uma circular em todos os elevadores do condomínio para avisar que estava proibido o uso de confete nas dependências.

Bella Torres
Bella Torres, filha de Dani, entre confetes

Em dois anos era hora de partir. O novo destino? Bogotá, na Colômbia. Demorou uns dos anos até me encontrar e eu já estava em crise de abstinência. Quando a Ana me chamou pra ir num sambinha no Tramentina. Fomos e era um esquema diferente do que estava acostumada. Todo mundo sentado… Mesmo assim foi delícia. Quem cantava era uma colombiana chamada Viqui, que viveu anos no Brasil e se casou com um brasileiro, que toca na banda. Passamos a contratá-los pra algumas de nossas festas… E já era hora de dar tchau novamente.

Dani Torres
Dani Torres e amiga no bar Traço de União, no Largo da Batata, em SP

Em janeiro voltamos pro México. Soube que o Garota fechou, infelizmente. Em março entramos em quarentena e por isso ainda não procurei um novo samba pra chamar de meu. Enquanto isso, faço churrasco todos os fins de semana e coloco minha playlist de samba de raiz. Minhas filhas já não aguentam mais. Pedem Anita, Ludmila, Ariana Grande, Tusa… Mas enquanto morarem na minha casa, samba será. E coloco logo Teresa Cristina: Eu sou assim, quem quiser gostar de mim eu sou assim…

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Fernanda Oening

Jornalista e produtora. Editora do SambaNews. Paulistana, nascida e criada na Barra Funda, bairro onde conheceu um amor pra vida inteira: Camisa Verde e Branco. Foi passista e destaque da escola por anos. Não dispensa uma boa roda de samba!

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