De casa nova, André Machado vai levar Carolina Maria de Jesus para a avenida

Carnavalesco vai defender a Colorado do Brás, no próximo carnaval com enredo Carolina, a Cinderela Negra do Canindé tendo, entre as referências, o livro O Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada

André Machado
Foto: Reprodução Facebook

Os quatro últimos anos foram dedicados a projetos na Sociedade Rosas de Ouro. Desde sua estreia, em 2017, ele desenvolveu enredos sobre temas diversos, entre eles, Convivium. Sente-se à mesa e saboreie, que descrevia banquetes marcantes na história. Também  homenageou os caminhoneiros, que transportam riquezas pelo Brasil, com Pelas Estradas da Vida, Sonhos e Aventuras de um Herói Brasileiro e foi até a Armênia para incrementar o enredo Viva Hayastan!, onde contou a história daquele país, no carnaval de 2019. Seu último enredo na agremiação levou inovação para a avenida, com alegorias e fantasias remetendo aos avanços tecnológicos através de QR Code e muita interatividade. 

André Machado tem passagens marcantes em outras agremiações paulistanas, entre elas Barroca Zona Sul (sua estreia em São Paulo) Imperador do Ipiranga, Nenê de Vila Matilde, Império de Casa Verde, Mocidade Alegre, Pérola Negra (onde ficou por seis anos) e X-9 Paulistana

Ele costuma dizer que o carnaval é sua formação. O fascínio foi despertado ainda no Rio de Janeiro, quando aos sete anos de idade, passou pela sala e viu na TV, um desfile da Império Serrano. Foi naquele dia, que disse para sua mãe, que queria trabalhar com ‘aquilo’.  Anos depois, aos, 21, assinou como carnavalesco, o desfile da escola de samba carioca Em Cima da Hora, onde a mãe dele fazia parte do grupo de passistas. Desde então, André Machado, tem presenteado agremiações, componentes e o público com suas criações impactantes. 

Nova casa e enredo forte para 2021

Atualmente, o carnavalesco já trabalha a todo vapor em nova casa. Foi contratado pela Colorado do Brás, onde irá defender um enredo carregado de força e coragem, ao contar a história de Carolina Maria de Jesus, mulher negra guerreira, que de catadora de papel para o sustento de sua família, passou a ser uma das mais importantes escritoras negras, ao registrar em seus diários, o dia a dia, em uma favela no bairro do Canindé, em São Paulo.

“O grande lance de toda a história da Carolina foi a coragem e eu estou trabalhando em cima dessa palavra. Apesar da importância como escritora, ela não é reconhecida como uma Clarice Lispector, por exemplo. Só quem é negro ou teve oportunidade de se aventurar na história dessa grande escritora, pode enxergar da forma como ela deve ser lembrada”, comenta.

André Machado

A chegada na Colorado do Brás é cheia de coincidências. Entre elas, a de que a direção também tinha a vontade de levar um enredo sobre Carolina para a avenida e a localização da quadra, no Canindé, próximo de onde viveu a autora de Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, livro publicado em 1960. Não poderia ser outra escola para tocar este enredo. Assim que cheguei na escola, o presidente Ká me disse que já tinham pensado no tema, porém, havia a preocupação de que o enredo fosse triste, uma vez que a história contada no livro é bem sofrida. Desenvolvi uma sinopse, onde ela narra tudo de uma forma bem otimista e como se tivesse fazendo parte do desfile. Nela, eu a chamo de cinderela, a ‘princesa da coragem’, que enfrentou o preconceito sem ‘mi mi mi’. Mesmo diante das dificuldades, Carolina nunca baixou a cabeça ou se queixou da pobreza. Muito pelo contrário, ela sempre acreditou no ideal de ser uma grande escritora. Hoje, temos muitas ‘Carolinas’, que precisam tomar atitudes como as dela”, conta. 

O trabalho na quarentena
André Machado
Foto: Reprodução Instagram

Por conta do isolamento social, o carnavalesco ainda não teve a oportunidade de conhecer de perto a comunidade da nova escola e também sua diretoria. Todos os contados, assim como sua apresentação, foram realizados via internet. “Eu ainda não tive o prazer de beijar o pavilhão da Colorado do Brás como carnavalesco da agremiação, mas estou trabalhando no projeto a todo vapor. O período de reclusão tem sido providencial para que eu faça pesquisas, leituras e também criar. Para o desenvolvimento do projeto, o período está fluindo. Só que agora, a partir do mês de junho, entraríamos no momento de confecção de pilotos, eliminatórias de samba-enredo e outras atividades do calendário de carnaval. Isso tudo vai começar a afunilar e atrapalhar bastante esse nosso início do operacional”, aponta.

Quem acompanha os trabalhos do carnavalesco, já espera uma grande e marcante apresentação na avenida. Ele costuma se inspirar em desfiles das décadas de 80 e 90 e também gosta de estudar a agremiação, onde chega, para saber de que forma poderá desenvolver o seu trabalho. Com a Colorado do Brás, ele diz que tem ótimas expectativas. 

Eles me conquistaram de cara e eu estou muito contente em poder desenvolver um projeto que eu já tinha intenção de levar para a avenida. Nosso presidente tem uma vontade imensa de que a escola fique entre as cinco melhores e de vê-la campeã. Isso seria algo sensacional, uma vez que entraria para a história dele. Eu pretendo contribuir para que isso ocorra. Teremos muitos desafios, uma vez que não é um enredo de retorno financeiro, mas nós acreditamos neste projeto”, pontua.

Enredo 2021 - Colorado do Brás
Foto: Arte Enredo 2021 - Colorado do Brás

Mônica Silva

Paulistana, da Freguesia do Ó. Jornalista, assessora de imprensa, especialista em produção editorial para publicações em segmentos diversos. Sempre teve Rosas de Ouro como primeira referência de carnaval. Já desfilou pelo Império de Casa Verde e também frequenta ensaios nas quadras das principais agremiações da zona norte.

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