Igor Carneiro conta sua trajetória e a chegada na X-9 Paulistana

Entre idas e vindas de Santos ao Rio de Janeiro e São Paulo, o carnavalesco só acumulou bagagens e experiências em atuar ao lado de grandes profissionais do carnaval 

Igor Carneiro
Foto: Divulgação

A paixão pelo carnaval começou em Santos, litoral Sul de São Paulo, quando ainda era criança, por influência de seu pai, que gostava muito também e, inclusive, seguia o bloco A Dorotheia de Iguape.. Na década de 80, quando ele tinha 11 anos, sua avó materna, que morava no Rio de Janeiro, os chamou para assistir o desfile das campeãs e para lá foram. “Minha paixão vem desde moleque. Eu e minha família estávamos sempre no meio dos preparativos e eu já cresci nessa atmosfera carnavalesca, até que me tornei um nerd de samba, na adolescência. Eu pesquisava, assistia aos desfiles e, ao invés de ir para as baladas, eu ficava em casa ouvindo sambas de carnaval”, conta ele.

Na década de 90, aos 20 anos, Igor Carneiro participou da Associação de Jurados de Arte e Carnaval na Baixada Santista, quando se tornou jurado do carnaval local. Na sequência, também participou do projeto de carnaval da Escola de Samba Real Mocidade Santista. Foi neste período, que decidiu se mudar para o Rio de Janeiro, onde estudou Artes Cênicas e passou a frequentar escolas de samba como folião.

Porém, com a necessidade de ter uma profissão, ele começou a bater nas portas dos barracões cariocas, em busca de uma colocação, uma vez que era sua paixão e ele estava na ‘capital do carnaval’. “Já que eu estava  lá  decidi sair e bater nas portas das escolas de samba. Passei por muitas agremiações sabendo que não iam me atender logo de pronto porque eu não tinha um currículo na área. Até que eu a única pessoa que me atendeu foi Mauro Quintaes, até então carnavalesco da Acadêmicos do Salgueiro, escola que eu desfilava. Ele me disse o que precisava e me perguntou se eu era capaz. A partir daí, eu passei a fazer assistência para ele”, lembra.

Igor Carneiro
Foto: Reprodução Facebook

Depois disso, Igor passou a acompanhar Quintaes nas agremiações cariocas. Marcou passagem na Viradouro, onde foi responsável por decoração de uma alegoria e, onde, segundo ele, começou a entender, realmente, como funciona todo o contexto de um barracão. Na sequência, acompanhou o carnavalesco na Mocidade Independente de Padre Miguel e, quando o carnavalesco Paulo Barros assumiu a Viradouro, ele voltou para a agremiação de Niterói, onde desenvolvia fantasias, sendo responsável pelos ‘pilotos’. Na sequência, ele vai para Acadêmicos da Rocinha.

Consolidação no carnaval de São Paulo

Mauro Quintaes seguiu para a São Clemente e, no mesmo ano, assumiu o carnaval da Gaviões da Fiel, em São Paulo. “Foi no final de 2007, exatamente em um momento que eu estava passando por uma crise, sem saber o que seria dali pra frente, em qual escola eu ficaria. Então veio o convite ele para que eu o acompanhasse e eu topei. Quando cheguei, o projeto já estava encaminhado, porque ele tinha uma pessoa, mas não deu certo e eu costumo dizer que ‘caí de paraquedas’, no final. Na ocasião, eu fui convidado a ser diretor de barracão da agremiação. Com isso, eu fui acumulando algumas funções administrativas, até que me tornei diretor de carnaval. Foi uma gestão autodidata e eu costumo dizer que quem faz o que gosta, não consegue dormir tranquilo. E assim lá fiquei por sete anos”, comenta.

Igor Carneiro
Foto: Reprodução Facebook

Entre as pessoas que fizeram a diferença para o carnavalesco, em São Paulo, está Bruno Oliveira, figurinista e dono do Atelier Bruno Oliveira, responsável em desenvolver trajes de luxo para ocasiões diversas, entre elas, o carnaval, ocasião que veste grande parte dos casais de mestre-sala e porta-bandeira, madrinhas de bateria, entre outros. “Aprendi muito com ele. Foi um laboratório e tanto, desde a escolha dos materiais até as compras na rua. Fiquei dois anos com ele e foi um grande aprendizado”, destaca.

Em sua passagem pela Mancha Verde, onde foi diretor de barracão, Carneiro destaca Paulo Serdan (presidente) e Jorge Freitas (carnavalesco) como essenciais para a complementação de todo o processo de aprendizado e pessoas importantes em sua trajetória. 

Durante sua atuação no carnaval paulistano, de 2015, até este ano, ele também desenvolveu projetos em sua cidade, Santos, nas agremiações Escola de Samba União Imperial, X-9 (onde conquistou um campeonato e dois vice) e Unidos dos Morros (que levou ao pódio como campeã). “Costumo dizer que o carnaval não caiu no meu colo, mas eu fui procurar como um apaixonado, folião e passei a ser um profissional no segmento. A profissão é maravilhosa, mas muito dura, por conta de todas as adversidades que existem dentro do carnaval. Conheci pessoas fantásticas e aprendi bastante. Sei que ainda falta muito, mas até agora eu só tenho a agradecer tudo o que tive”, pontua. 

X-9 Paulistana

Igor foi contratado este ano para assinar o carnaval da X-9 Paulistana. A escola ainda não divulgou o enredo, mas já tem data para isso: 7 de julho, por meio de live como tem sido com as demais agremiações. “Estou muito bem assessorado pelo Departamento Cultural da escola, que com certeza me dará todo o apoio necessário nessa questão de pesquisa, preparação de pastas entre outras atividades. Ainda não tivemos uma reunião porque não posso revelar o enredo, mas depois disso, eu sei que vou poder contar com eles”, aponta. 

Mônica Silva

Paulistana, da Freguesia do Ó. Jornalista, assessora de imprensa, especialista em produção editorial para publicações em segmentos diversos. Sempre teve Rosas de Ouro como primeira referência de carnaval. Já desfilou pelo Império de Casa Verde e também frequenta ensaios nas quadras das principais agremiações da zona norte.

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