Pê Santana é mais do que a voz da X-9 Paulistana

Atualmente, diretor de carnaval da escola, ele já passou por algumas agremiações de São Paulo como intérprete e, agora, comanda um programa de rádio dedicado ao universo do samba e carnaval que vai ao ar aos sábados, diretamente de Pirapora (SP)

Pê Santana
Foto: Reprodução Facebook / Crédito: JoBelli

Tudo começou na década de 90, na Combinados de Sapopemba, escola do bairro onde Pê Santana mora até hoje. Como grande parte das pessoas que hoje são destaques no carnaval paulistano, ele também desfilou na ala das crianças, onde tinha uma irmã na coordenação. Depois disso, Pê passou para a bateria, onde foi ritmista, de 1995 a 1997. Até que, em 1998, aos 17 anos, ele assumiu o microfone, sendo um dos intérpretes mais jovens da história do carnaval paulistano. Ficou na agremiação até o ano 2000 como cantor oficial. Em 2001 foi defender um samba na Sociedade Rosas de Ouro, do compositor Xavier, quando Fredy Vianna (hoje intérprete da Mancha Verde) o convidou para cantar na Acadêmicos do Tucuruvi e Pê Santana ficou na agremiação até 2003, no canto. 

Em 2004, ele recebe o convite de, ninguém menos, que Raimundo Pereira da Silva, o Mestre Mercadoria, um dos grandes diretores de harmonia, do carnaval de São Paulo, para cantar com Darlan Alves, na Unidos de Vila Maria. “Naquele ano, todos os desfiles tiveram como tema, os 450 anos da cidade de São Paulo e nós fizemos um desfile fantástico. Depois disso, eu e o Darlan seguimos para a Rosas de Ouro. Porém, naquele período, em 2005, havia uma determinação de que quem havia cantado no grupo de Acesso, não poderia assumir o microfone no Grupo Especial. Nenhum dos dois pôde cantar e eu só consegui no ano seguinte, quando a escola levou para a avenida, o enredo A Diáspora africana. Um crime contra a Raça Humana”, conta.  

Em 2007, Pê Santana volta para a zona leste, na Unidos de São Lucas. Depois disso teve passagem pela Colorado do Brás e, em 2010 chegou convite do Alemão do Cavaco para ele fazer parte da eliminatória da Estação Primeira de Mangueira.Na época foi um grande desafio e ao mesmo tempo eu ia realizar um sonho, que eu acho ser de todos os compositores. Pra mim, nem que fosse só para cumprir tabela, já estava valendo só pelo fato de eu ir até lá para defender um samba com grandes nomes. Era o que faltava para a minha carreira. Nem nos meus maiores delírios eu imaginava que chegaria tão longe. Nós ganhamos e fomos considerados, em 2011, o segundo grupo de paulistas a ganhar um samba no Rio de Janeiro e o nosso foi o único com todas as notas 10 dos jurados”, lembra.

Entre X-9 Paulistana e Independente Tricolor

Na volta para São Paulo, Pê Santana começa sua história na X-9 Paulistana, onde ficou até 2014 como segundo cantor de Royce do Cavaco. A estreia foi quando a escola fez uma homenagem a Renato Aragão com o enredo De eterna criança a embaixador da esperança, Renato Aragão, Didi Trapalhão! , onde não só fez parte da composição como também cantou o samba na avenida. “O ano de 2011 foi um marco para mim, enquanto compositor. Foi a mesma parceria que ganhou no Rio de Janeiro”, pontua. Neste período, surge o Pê Santana, diretor de carnaval.

“Assim que terminamos a eliminatória no Rio de Janeiro, eu recebi o convite do Alessandro Oliveira Santana, o ‘Batata’, presidente da Independente Tricolor, para tomar conta da agremiação. Me considero um dos grandes responsáveis por essa potência que é a escola hoje. Uma pena a infelicidade da quebra de um carro alegórico, durante o desfile de 2018, quando a escola foi considerada uma das melhores plásticas na avenida, por conta de todo o visual que levamos com o enredo Em cartaz: Luz, câmera e… terror. Uma produção Independente!. Agora, em 2020, ocorreu o fatídico incêndio no barracão. Lamentável, já que desde 2011 era a escola que mais vinha numa crescente, no carnaval de São Paulo, quando levamos cinco títulos seguidos e eu à frente, na direção da escola,  como intérprete e também compositor”, relembra. 

Foto: Reprodução Facebook | Crédito: Renato Cipriano

Depois desses episódios fatídicos, Pê Santana decide sair da agremiação. Recebeu muitos telefonemas, mas o que mais chamou sua atenção foi o da X-9 Paulistana, uma vez que já tinha uma passagem pela agremiação e a amizade que já tem, até fora de carnaval, com Ailton Martinelli ou ‘Branco’, presidente. “Aceitei logo no primeiro momento e assumi a direção de carnaval. Chegando, eu encontrei a equipe e conversei com a primeira dama e disse que tinha um interesse de fazer um enredo em  homenagem ao Arlindo Cruz. Isso coincidiu com uma vontade que o Amarildo de Mello, então carnavalesco, já tinha e desenvolvemos o enredo Meu lugar é cercado de luta e suor, esperança num mundo melhor! O show tem que continuar, que resultou em um maravilhoso e mais emocionante, dos desfiles que passaram pela avenida, em 2019. Porém tivemos uns problemas plásticos com as alegorias. Eu costumo dizer para o Branco, presidente, que ele pegou a terra seca, na X-9, porque ele teve que adubar e plantar, pra colher e isso é o que vamos ter que continuar a fazer”, conta.

Pê Santana
Foto: Reprodução Facebook | Crédito: @MaguilaoKaradaFoto

Sobre o papel de um diretor de carnaval, Pê Santana é praticamente um expert no assunto. Ele considera ter graduação e pós-graduação, a partir das experiências que já vivenciou. Elo principal entre o presidente e o carnavalesco, o diretor é quem fica atento a toda a movimentação, desde a compra de material, até o desempenho dos times na quadra. 

“Dependendo da agremiação pela qual passou um diretor de carnaval, ele se torna a pessoa mais ‘calejada’ no assunto. Antigamente, por exemplo, ser diretor de uma escola oriunda de torcida de futebol, como no caso da Independente Tricolor, era meio maluco. Por eu ter sido torcedor, quando garoto, tive uma aceitação bacana e acabei plantando algumas situações de carnaval, uma vez que eu já tinha passagens por outras agremiações. Mas era muito difícil fazer a moçada usar calça branca, por exemplo, era terrível. Hoje, isso está bem melhor porque é possível fazer um ensaio, no mesmo dia de um jogo, que não irá afetar a arquibancada, nem a quadra da escola. Esse resultado vem do trabalho do diretor de carnaval.”, explica.

Carnaval 2021 e programa de rádio

A X-9 Paulistana fará o anúncio do enredo 2021, no dia 21 de junho em sua quadra, na zona norte de São Paulo. “Nós vamos montar um cenário para uma apresentação musical e também terá transmissão ao vivo, nas redes sociais da escola”. 

Com algumas alterações, a escola terá o carnavalesco Igor Carneiro, o coreógrafo Jonathan Paulino, que já foi da casa, cuidará da Comissão de Frente. No próximo carnaval, Pê Santana não irá cantar. Ele passou o microfone para Léo do Cavaco, praticamente criado na agremiação, que estará no arranque da escola. ”Este ano, eu não vou conseguir conciliar ser intérprete e ao mesmo tempo conduzir as atividades do carnaval, dentro da escola. Também tenho projetos pessoais que acabarão conflitando com a agenda. Então, eu decidi ser mais efetivo na direção mesmo. A X-9 tem um elenco muito bom que vai brilhar”.

A escola não terá a etapa de eliminatórias de samba-enredo. Continuará com o formato do ano passado, principalmente, levando em consideração a questão do isolamento social. Os compositores serão os mesmos: André Diniz (do RJ), Cláudio Russo, Arlindinho, Márcio André Filho e uma pessoa ‘da casa’, como de costume, para compor junto desse time. Desta vez, será o Léo do Cavaco, que também é um ótimo compositor. “Agora é torcer para que Deus nos ajude com relação a essa questão da pandemia para podermos trabalhar. Ainda é muito cedo para pensarmos em novos formatos para fazer carnaval. Precisamos aguardar o que irá acontecer para tomarmos decisões. Hoje todos os presidentes estão muito em sintonia e conversando via videoconferências com a Liga SP, mas ainda não temos nada concreto sobre de que forma será”, conta.

Atualmente, o diretor da X-9 Paulistana comanda o programa O Samba Nasceu Aqui, que é transmitido pela rádio Nova Pirapora FM (87,5), aos sábados, direto de Pirapora do Bom Jesus, em São Paulo, e, também, com live simultânea via redes sociais. Durante duas horas, Pê Santana recebe nomes importantes do carnaval paulistano para um bate-papo embalado com muito samba de primeira. Sem aglomeração no estúdio e muitos cuidados, é claro! O projeto já comemorou um mês no ar e muitas novidades estão por vir.

Pê Santana
Flyer: Divulgação Rádio Nova Pirapora FM

“Recebi o convite do prefeito da cidade e também do diretor da rádio e estou muito feliz como que já fizemos nesse pouco espaço de tempo e com toda a dificuldade por conta do isolamento social. O programa é dinâmico, nós relembramos juntos sambas antigos e atuais e, além disso, contamos muitas histórias bacanas que marcaram a história do carnaval. Pirapora é muito especial para todos nós que somos do samba. Gosto muito e sou curioso nessa área de comunicação”

NOTA DA REDAÇÃO

No dia 29/6, a X-9 Paulistana anunciou o desligamento de Pê Santana, de seu quadro de colaboradores. O intérprete ocupava o cargo de diretor geral de carnaval.

Mônica Silva

Paulistana, da Freguesia do Ó. Jornalista, assessora de imprensa, especialista em produção editorial para publicações em segmentos diversos. Sempre teve Rosas de Ouro como primeira referência de carnaval. Já desfilou pelo Império de Casa Verde e também frequenta ensaios nas quadras das principais agremiações da zona norte.

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